Ao Fim

10/12/2013 by

Ao Fim
Gente de Deus,
Olho para mim mesmo, para o que resultou a minha vida, ao fim desses quase sessenta anos, e tenho meditado, sobretudo nesses momentos em que a família está formada, cada um fazendo o que gosta, e o Kerovoar afirmou-se, definitivamente. Aí, pensei em compartilhar com vocês.
Honestamente, vamos compartilhar.
Eu quero olhar outras vidas no ponto da realização, não ao fim da vida física. Então, não nos interessa, desta vez, o último suspiro, o fim do corpo. (Acho mesmo que as conclusões ligadas ao último suspiro não são tão importantes como aquelas da coroação dos esforços depois de tanto tempo, numa certa direção).
Interessa-nos o fim do esforço para chegar ao que chamaremos de “realização pessoal”.
Eu diria que, nesse momento, a pessoa chegou onde desejava chegar. Eu diria que, em seu projeto de vida, ela alcançou o que buscava, que foi bem sucedida. Eu diria que, nesse ponto, ela tem sob suas mãos o poder que buscava, em todos os sentidos.
E o que isso resultou?
Qual o sentido do que alcançou?
Abraão 
O que alcançou Abraão no ponto máximo de sua realização?
Bem, eu acho que ele desejava continuar-se no filho, na descendência, então, ele alcançou o máximo quando gerou Isaque e pode vê-lo crescido, gerando filhos. É isso.
Naquele tempo, Abraão e seus contemporâneos tinham como bênção maior ver a descendência até a terceira e quarta geração. Esse era o diploma de uma vida abençoada. A perspectiva de vida eterna ainda não existia como hoje, como passou a ser depois da vitória de Cristo sobre a morte.
O Senhor Jesus venceu a morte. Medite e entenda isso tanto quanto conseguir.
Então, já não nos interessam genealogias, como ensina Paulo.
Nossa filiação é espiritual.
Então, o que interessa são os filhos espirituais, aqueles que, como nós, creram em Deus, confiaram na sua justiça, e agem baseados no fato de que Ele existe e recompensa aqueles que o buscam, que esperam nele.
Os interesses são aqueles voltados para o Reino de Deus.
Um Abraão de hoje, portanto, seria vencedor em deixar descendentes espirituais, herdeiros da vida eterna, principalmente os nascidos na própria casa, os filhos carnais.
É que os filhos carnais, quando também herdam a fé, dão prova de que o testemunho dos pais convenceu.
Moisés
Moisés assumiu a liderança de um misto de gente, transformou-os numa nação e os fez chegar às portas da Terra Prometida.
Misto de gente, Nação e País. Não é pouca coisa.
Hoje, seria o mesmo que assumir um público diverso, pregar o evangelho, ensinar a Palavra, discipliná-los até que mudem o proceder para estar de acordo com a Palavra, constituir uma nação, tomar posse de um território e viver conforme o ensino da Palavra.
Foi o que os peregrinos fizeram na formação dos EUA, assim penso.
Valeu a pena, não há dúvida.
(Já a continuidade é sempre difícil porque os crentes tendem a ser extremamente conservadores, mesmo que suas idéias e costumes tenham-se deteriorado e se tornado contrário às Escrituras. E o caso do conjunto de práticas judaicas, ao tempo de Cristo, que Ele chamava de hipocrisia. É o caso da superioridade racial que andou na cabeça de muitos cristãos americanos de um século atrás, resultando no que houve de pior, em termos de massacres, na história da humanidade).
Cristo
Se pensarmos no exemplo de Cristo, vamos verificar que Ele encerrou sua vida com ela ainda no meio, ou antes, até. Morreu quando assim determinou. Morreu na hora certa, certamente.
Não deixou descendência física, embora isso fosse o sucesso de um judeu.
Não deixou um país estabelecido, ao contrário, profetizou o fim do seu país.
Não conquistou bens para si mesmo; desprezou-os, na verdade.
Não deixou bens materiais para seus seguidores.

Então, qual foi a vitória dele?

Foi o ensino, a transformação de vidas, certamente. Esse ensino, continuado pelos seguidores, transformaria outras vidas, e assim sucessivamente, pelos séculos dos séculos.
Esse ensino tinha por base seu exemplo de vida. Ele vivia aquilo que ensinava. Ele ensinava aquilo que vivia.
E a realização maior foi morrer pelos seus, sem renunciar a uma palavra daquilo que ensinara. Ele selou seu ensino com o próprio sangue.
É o nosso exemplo perfeito em cada detalhe.
É a nossa companhia perfeita, para cada momento.
É o nosso ajudador em cada dificuldade.
Eu (talvez valha para você, também)
nasci num lar muito pobre, mas crente em Cristo.
Aspirávamos melhorar de vida.
Cada um desejava estabelecer um lar próspero, saindo daquela miséria.
Mas, o que significava realização para mim?
Estudar, ter profissão e ganho, casar, criar filhos, ter um apartamento para morar, e um carro na garagem e aposentar, tendo tempo livre para desfrutar da vida. Ser membro de uma igreja e ver os filhos seguirem o mesmo caminho. Nada mais, acredite, nada mais. Alcançando esse ponto, eu deixava no piloto automático, esperando a morte chegar, sem ansiedade.
E, claro, a mensagem que eu pregasse seria para que outros conseguissem chegar onde cheguei.
Acredite, também, que foi esse o exemplo, o bom exemplo, que me deram os que eu admirava, aqueles crentes mais velhos que me antecederam.
Mas, hoje, ninguém pode “morrer” aos cinquenta anos, todo feliz, aposentado, morando no apartamento dos sonhos, com um bom carro na garagem, ainda que membro da igreja, com os filhos frequentando a igreja.
É preciso viver e produzir muito. A vida está apenas começando. Acredite.
Um desafio que vale a pena: Viver uma segunda vida. Agora, com mais recursos, com mais experiência, conhecendo a Palavra, conhecendo o Senhor.
Vale a pena!
Sem renunciar às conquistas, claro. Sem renunciar à família, ao bom exemplo de cidadão e de crente.
Acho que podemos comparar com a construção do segundo andar. Algo assim.
Olha,
Não falta o bom ensino a respeito da transitoriedade das coisas materiais. A Bíblia está repleta desse ensino. E nós ouvimos isso na Escola Bíblica, nas mensagens, nas canções.
É a brevidade da vida, conforme Moisés, no Salmo 90.
É a parábola do rico insensato, proferida pelo Senhor Jesus. “Come, bebe e regala-te, pois tens bens para muito tempo, dizia o rico, após uma colheita recorde que equivale a nossa aposentadoria”. Mas, o Senhor o chamou de insensato, É que ele morreria naquela mesma noite e não estava preparado para o que viria a seguir.
E nós entendíamos que estávamos preparados, afinal éramos membros da igreja. Alguém nos ensinou que, sendo batizados, seguindo o ensino da igreja, estaríamos salvos.
Mas, aqui e ali, nós desconfiávamos. Algo não estava correto.
Isso mesmo: O sucesso alcançado pela organização de uma igreja nos dá a impressão de vitória final. E isso não é verdade. A Palavra nos ensina, mas não entendemos o que significa em nossas vidas. Lemos, ensinamos a outros, mas nós mesmos não entendemos. Não adianta a mensagem do Senhor Jesus à Igreja de Éfeso: “Tenho contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras”.
Ainda não vi uma igreja que tenha voltado ao primeiro amor.
Não estou dizendo que não existe. Talvez você conheça.
Até o profeta do mundo fala.
Mas, você acredita que fomos impactados por uma música popular, ao tempo da mocidade?
Pois é, eu cheguei na residência de uma irmã bem sucedida e ela sinalizou para que eu prestasse atenção à letra da música “Ouro de tolo”, do Raul Seixas, que tocava no rádio, enquanto ela passava roupa.
Ele compôs, cantou, fez sucesso, mas não sei se aprendeu algo com o que ele mesmo profetizava.
Até hoje lembro-me da letra:
“Eu devia estar feliz por ter conseguido tudo o que eu quis, mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado. Porque foi tão fácil conseguir, (e agora eu pergunto: e daí?). Eu tenho uma porção de coisas grandes prá conquistar e não posso ficar aí parado”.
Confere, você mesmo, o lamento do Raul Seixas:
Não há dúvida de que o Raul interpretava a mensagem do evangelho, de um modo pessoal, atualizado, e válido para nós.
Acho que a letra toda está correta.
E vale para crentes, sobretudo.
Sobretudo para os crentes que alcançaram tudo o que o bom proceder concede. Uma vida abençoada, seguindo o bom ensino da igreja.
Acho, por outro lado, que o Raul não poderia estar feliz com coisa alguma, uma vez que não compartilhava com o Senhor, nem atribuía ao Senhor as suas conquistas.
Deixei Davi por último.
No Salmo 18.
“Ao mestre de canto. Salmo de Davi, servo do Senhor, o qual dirigiu ao Senhor as palavras deste cântico, no dia em que o Senhor o livrou de todos os seus inimigos e das mãos de Saul. Ele disse:
Eu te amo, ó Senhor,…”
E o Senhor Jesus me diz:
“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama. E aquele que me ama será amado por meu pai. E eu também o amarei e me manifestarei a ele”.
Massuia

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