Naamã, Asafe e você – irados.

12/09/2013 by

Naamã, Asafe e você – irados.

Povo de Deus,

A infinita Graça do Senhor está sobre vocês. Não existem méritos – que bom, apenas Graça. Isso humilha os soberbos.
Não precisa pagar! Argh!
Nada que você fizer ajuda. Argh!
Mas, mas, mas…Sinto muito, você vai ter que admitir os fatos: Nada, nada.
Maravilhosa Graça!
O Naamã tinha um problema, a lepra, em meio a muitas virtudes como líder, como comandante competente, como herói nacional, como homem respeitado pelo Rei da Síria.
A lepra o Eliseu conseguia curar pelo poder de Deus, mas a soberba acumulada com tantas vitórias o Eliseu não conseguia. Era a difícil tarefa do próprio Naamã.
Soberba e lepra.
Resolvido o problema da soberba, a lepra seria eliminada.
Mas, o que fazer?
Ainda bem que o Naamã estava cercado de servos sábios. Ainda bem que Naamã dera a eles liberdade de dizer o que ele não gostaria de ouvir. Ainda bem que Naamã estava pronto para ouvir os seus servos mesmo quando eles lhe dissessem o que não desejava ouvir.
Ainda bem que os servos de Naamã eram corajosos.
Ainda bem que o caminho do diálogo entre eles estava aberto.
Deve ter sido difícil para Naamã.
É que ele tinha construído sua fama, seu prestígio, como patriota sírio. E agora tinha que admitir que outro país, outro chão, era melhor. Argh!
Ele tinha que admitir que a barrenta água do Jordão era melhor do que as límpidas águas dos rios da Síria. Argh!
Sim, é isso: Nós construímos nosso prestígio durante tanto tempo, com tanto esforço, tendo algo como verdade e de repente essa verdade está questionada. Dói fundo.
Aí, as pessoas perdem a fé se admitem os fatos.
Ou preservam a fé, ignorando os fatos, e se tornam irrelevantes.
Que luta!
Esses são os nossos dias.
A jovem está chateada.
Estamos reunidos em torno da mesa, em seu lar, com sua irmã, seu irmão, seus pais e até amigos.
Qual o problema?
Ela está com trinta e seis anos e ainda solteira. Preservou sua virgindade por causa da fé, e está só.
Poderia ter-se liberado para uma vida sexual como tantas outras, mas preferiu seguir o ensino da igreja. Esperou, e nada!
Agora, a realidade de não poder ter filho, de não se realizar como mãe, de não ter o marido, de não ter um lar como tantas outras, se abate de forma esmagadora.
Tudo o que construiu parece nada valer.
Pior ainda é admitir que outras que agiram de modo diferente estão melhor.
Não temos como julgar cada caso, e são milhões, mas podemos dizer que se a nossa fé se baseia na recompensa neste mundo, então estamos mal mesmo.
Você se sente um idiota.
Como Asafe, lá no Salmo 73, você conclui:
“Parece que não adiantou nada
eu me conservar puro”.
E se revolta contra Deus:
“Pois tu, ó Deus, me tens feito sofrer
o dia inteiro,
e todas as manhãs me castigas.”
(Não é bem isso, mas é o que parece quando o coração fica amargo).
Aí, você recorre à inteligência, ao bom senso, mas fracassa:
“Então eu me esforcei para entender
essas coisas, mas isso era difícil demais para mim.”
Como Asafe, você fica revoltado:
“O meu coração estava cheio
de amargura,
e eu fiquei revoltado.”
Como Naamã, você fica zangado e muito bravo, afinal, tudo o que você construiu parece de nada valer.
Você fica um animal, igual ficou o Asafe:
“Eu não podia compreender, ó Deus;
era como um animal, sem entendimento.”
Olha, da minha parte, eu quero que você fique assim mesmo, feito animal, irado, amargo. E não disfarce essa situação com uma cobertura de religião hipócrita.
Apresente a Deus a sua queixa – foi o que Asafe fez.
A gente se fala.
Massuia

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